Marina Silva
REDE

Artigo G1: O caminho passa pelo TSE

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Artigo publicado no blog de Matheus Leitão do G1, em 14/03/16


Nas manifestações deste domingo, além das bandeiras do combate à corrupção, protestos contra o governo e o pedido de impeachment da presidente, foram muito fortes as expressões de apoio ao trabalho do juiz Sergio Moro, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Acho fundamental esse apoio vindo das ruas. É esse o melhor caminho, e tenho dito isso em diversas ocasiões.

Quero reproduzir o que escrevi em artigo recente, “Dois trilhos para sair da crise”, publicado em 18 de dezembro de 2015: “É preciso tomar cuidado para não permitir que, sob a oferta de um porto seguro na tempestade, fiquem ocultas as mesmas incompetências, privilégios, esquemas de corrupção e desejos inconfessos de frear os rumos das investigações. Além do apoio às investigações, é preciso estabelecer medidas estruturantes que previnam a corrupção. Acabar com a quase certeza de impunidade já é um grande passo. Para isso, é fundamental abraçar as propostas do Ministério Público, consolidadas com a experiência da Operação Lava-Jato. Não se pode esperar solução para a crise vinda da parte degradada da política, cuja forma de agir e apego ao poder estão no alicerce da corrupção endêmica que é imperativo combater.

A situação de nosso país exige que todos nós tenhamos um profundo senso de urgência e responsabilidade pela gravidade da crise política, econômica e social. As manifestações de domingo, a medir pelo grande apoio que deram à operação Lava-Jato e ao juiz Sergio Moro, indicam que a sociedade aposta no rumo certo, no rumo de verdadeiramente passar o Brasil a limpo.

Volto a repetir: nas democracias, quando se vive uma situação com essa gravidade, só existem duas saídas, a política e a justiça. Neste momento falta à política a credibilidade e a capacidade para encontrar saídas; resta-lhe pedir o apoio da justiça, para que a ajude a se reconectar com a potência de sua inegável primazia, que é a de mediar com legitimidade os diferentes interesses que afetam a vida da sociedade.

Se queremos ser coerentes com o desejo da sociedade de passar o Brasil a limpo, quanto mais se tornam evidentes que o dinheiro da corrupção da Petrobras alimentou o caixa de campanha da chapa Dilma-Temer na aliança PT/PMDB, mais se coloca o imperativo ético de uma saída via Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Só assim se poderá devolver à sociedade a possibilidade de reparar o erro que foi levada a cometer. Estamos em uma emergência, e mesmo que não caiba qualquer forma de pressão à Justiça, ela precisa – e há de ter – o necessário sentido de urgência para agir.

Os representados têm o legítimo direito de reaver a delegação que deram a quem se candidatou a ser seu representante se, depois de alcançar esse posto, o eleito descumpriu a Constituição. Mas o caso atual é mais urgente e diz respeito a um crime cometido ainda antes. E a Justiça não pode permitir que o processo eleitoral seja uma mera farsa financiada com recursos desviados dos serviços públicos para favorecer uma das chapas na disputa.

A pesquisa de opinião feita pela revista Veja revelou que cerca de 80% dos que estiveram domingo nas ruas de São Paulo pedindo a saída da presidente Dilma preferem que ela seja substituída mediante uma nova eleição. Em sua sabedoria, a sociedade sabe que é melhor ter o TSE como meio para devolver aos 200 milhões de brasileiros o direito de escolher um novo dirigente e não se ilude com a falsa promessa de “uma saída” pelas mãos dos que, em grande parte, estão na raiz da crise que se arvoram a resolver.

A aparente firmeza das mentiras de pés-de-barro do marketing desmoronou ante a dureza dos fatos. A aparente fragilidade dos pés de carne e osso marcha nas ruas em busca de resposta real e consistente.

Leia o texto no blog de Matheus Leitão

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