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Internet, um fator chave na campanha política do Brasil

Publicado em 02/10/2014
- Por Loretta Chao - The Wall Street Journal

SÃO PAULO – O ritmo veloz com que os brasileiros de baixa renda estão usando a internet e as mídias sociais está agitando a campanha presidencial deste ano.

Pela primeira vez na política presidencial brasileira, campanhas online são um fator importante na batalha dos candidatos que encaram a votação no próximo domingo.

O Brasil tem mais de 85 milhões de usuários de internet atualmente, quase o dobro da eleição presidencial de 2010 e seis vezes mais do que em 2006, segundo a empresa de pesquisa comScore.

O surgimento de Marina Silva, candidata emergente do Partido Socialista (PSB), como uma concorrente séria da presidente Dilma Rousseff reforça esse fenômeno. Como os candidatos não têm tempo de televisão iguais, segundo as regras eleitorais do Brasil, Marina Silva tem conduzido a maior parte da sua campanha online, uma estratégia que a ajudou a se tornar rapidamente a principal candidata, antes de Dilma levar de volta a liderança na corrida eleitoral recentemente.

A publicidade política na TV é financiada com recursos públicos no Brasil, e o tempo de TV é determinado pelo número de partidos políticos apoiando cada candidato. Marina Silva tem a menor coligação dos principais candidatos e uma fração do tempo dos seus principais rivais, Dilma Rousseff e Aécio Neves, candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

No entanto, apesar da enxurrada de anúncios na TV de Dilma, as pesquisas nesta semana mostram que Marina Silva provavelmente irá para o segundo turno, onde enfrentará Dilma Rousseff, a mais votada.

“Pela primeira vez um candidato à presidência que basicamente não tem vez na TV, consegue o segundo lugar nas pesquisas”, disse Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro. “Esta é realmente uma grande mudança para o Brasil.”

O cenário mostra que o acesso à web ajudou a equalizar a política em um país que luta contra uma grande desigualdade social. A maioria dos novos usuários na última década são das classes mais baixas de renda, disse Márcia Cavallari, chefe de pesquisa do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística). Agora, um em cada cinco brasileiros segue notícias online relacionadas às eleições, disse ela. “As classes mais altas e mais educadas costumavam ser os líderes de opinião no Brasil”, disse Cavallari. Agora, a internet “coloca todos no mesmo nível.”

O Brasil ocupa o quinto lugar no mundo em número de usuários da internet e o terceiro lugar em tempo gasto online, disse a comScore. É o segundo maior mercado em números de usuários do Google, do YouTube e um dos principais mercados em todo o mundo para o Twitter, Facebook e Instagram. Esta popularidade das redes sociais permitiu protestos em massa no Brasil que levaram um milhão de pessoas no ano passado às ruas.

Natalia Viana, co-fundadora da Pública, agência brasileira de reportagem e jornalismo investigativo, disse que as manifestações assinalaram uma mudança nas expectativas dos eleitores. “Os protestos mudaram alguma coisa permanente no coração da democracia brasileira, que não pode ser desfeita”, disse ela. “Todo mundo está comentando … as pessoas sentem que têm o direito de participar.”

Claro que a televisão continua a ser um meio importante no Brasil, onde a maior emissora de TV, a Rede Globo, tem um alcance de quase 100% nas casas com TVs. Os dois principais candidatos terão tempo de TV igual na corrida para o segundo turno, em 26 de outubro. Marina Silva contratou o famoso cineasta Fernando Meirelles para ajudar nos programas de TV, se ela for para o segundo turno.

O Partido dos Trabalhadores (PT), de Dilma, tem amplificado sua estratégia digital, inundando as redes sociais com mensagens sobre sua administração, a baixa taxa de desemprego e os programas sociais que tiraram milhões da pobreza. A presidente tem 2,8 milhões de seguidores no Twitter, bem à frente de Marina Silva que tem 1 milhão.

Mas Marina Silva supera seus dois principais adversários na mídia social até agora, com 9,1 milhões de interações no Facebook, em comparação com os 6,6 milhões de Dilma e os 4,9 milhões de Aécio Neves, segundo a empresa de pesquisa Socialbakers.

Desde que se tornou candidata à presidência, após a morte de seu companheiro de chapa Eduardo Campos, em agosto, ela teve mais menções no Twitter, um aumento de quase cinco vezes em pouco mais de um mês, de acordo com o Twitter. Já as menções de Dilma e Aécio diminuíram no mesmo período.

O surgimento de Marina Silva confirma a internet como um campo de batalha chave no Brasil. “Gastar um monte de dinheiro de uma só vez” em comerciais de TV “simplesmente não funciona mais, não é o suficiente”, disse Tania Yuki, CEO da empresa de pesquisa de mídia social, Shareablee. “As pessoas esperam ter relações um-a-um. Se não, você vai perder para aquele que fizer esse esforço.”

 

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