Marina Silva
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“Isto não é um discurso. É uma vida”

Publicado em 18/09/2014
- Por H.J. / Londres - The Economist

THE ECONOMIST

Por H.J. / Londres

 

 

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que espera ganhar um segundo mandato nas eleições do próximo mês, afirmou que somente o voto nela pode garantir a continuação do mais famoso programa social contra a pobreza no país, o Bolsa Família. Desde que 30 milhões pessoas, de um eleitorado de cerca de 140 milhões, são direta ou indiretamente dependentes do dinheiro do programa, isto é potencialmente um enorme prejuízo aos seus adversários, dos quais Marina Silva é a melhor colocada nas pesquisas.

A resposta de Marina Silva foi transmitida pela televisão em sua propaganda eleitoral, em 16 de setembro. Para sentir toda a força de suas palavras, você precisa saber que ela nasceu no Seringal Bagaço, uma parte pobre, rural do estado do Acre, de pais que eram seringueiros. Ao contrário de qualquer outra pessoa na política brasileira, ela sabe o que é sentir fome. O vídeo abaixo está legendado em Português. Nossa tradução para o Inglês está embaixo, mas se você quer entender por que essa mulher, que nem sequer era candidata presidencial até que seu companheiro de chapa, Eduardo Campos, morreu em um acidente de avião em 13 de agosto, tem uma forte chance de se tornar a próxima presidente do Brasil, você deve assistir ao vídeo com o som ligado. Tem apenas dois minutos de duração.


“Dilma! Você fique ciente. Não vou lhe combater com as suas armas. Vou lhe combater com a nossa verdade. Com o nosso respeito. E com as nossas propostas.

Nós vamos manter o Bolsa Família. Sabe por quê? Porque eu nasci lá no Seringal Bagaço. Eu sei o que é passar fome.

Tudo o que minha mãe tinha para oito crianças era um ovo e um pouco de farinha e sal, com umas palhinhas de cebola picada. Lembro-me de olhar para o meu pai e minha mãe e perguntar: Vocês não vão comer? E minha mãe respondeu … minha mãe respondeu: Nós não estamos com fome.

E uma criança acreditou naquilo. Mas eu depois, entendi que eles há mais de um dia não comiam.

Quem viveu essa experiência jamais acabará com o Bolsa Família.

Não é um discurso. É uma vida.”

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