Amor em tempos de ira

Sei não ser a firme voz
Que clama em meio ao deserto,
Mas me disponho estar perto
Para expandir o seu eco.

Sei nem sempre ter força,
Para amar meus inimigos,
Mas comprometo não vingar-me,
Não lhes impingir castigo.

Sei não possuir coragem
De morrer por meus amigos,
Mas me disponho guardá-los
No mais recôndito abrigo.

Sei nem sempre ser aceito
O fruto de minha ação,
Mas me submeto expô-lo
Ao crivo doutra razão.

Voz, coragem, força e aceitação,
Tem fonte no mesmo espírito,
Origem no mesmo verbo,
Lugar onde me inspiro
E a semelhança preservo,
Na comunhão com meu próximo.
No Logos que em mim carrego.