Marina Osmarina era seu nome, mas a avó a chamava de Marina, e assim ficou. Marina Silva nasceu no dia 8 de fevereiro de 1958, em uma pequena clareira no meio da floresta amazônica, a “colocação” Breu Velho do Seringal Bagaço. A cidade mais próxima, navegando várias horas rio acima, era Rio Branco, a capital do Acre.
A família era de gente simples, que tinha chegado do Nordeste para trabalhar na extração de látex e fabricação da borracha. O pai, Pedro Agostinho, era seringueiro e agricultor; a mãe, Maria Augusta, era agricultora e costureira. Tiveram 11 filhos, dos quais três morreram. A mãe faleceu quando Marina tinha apenas 15 anos.
Desde o final de infância, ao lado das seis irmãs e de um único irmão homem, que era ainda uma criança, Marina encarou um duro cotidiano de trabalho nas “estradas de seringa”, no roçado, na cozinha. Escutava as histórias da avó Júlia e do tio Pedro, que tinha morado com os indígenas por mais de 20 anos e adquirido com eles conhecimentos essenciais para a vida na floresta. E tinha o sonho de ser freira, pois admirava a devoção católica da avó, mas ela mesma lhe advertia: “freira não pode ser analfabeta, tem que estudar”. Estudar como, se não havia escola no seringal?