NUNCA MAIS QUERO VER UMA MULHER SER SUBESTIMADA, AFIRMA MARINA

Ao participar da sabatina promovida pelo jornal Estado de S. Paulo e Faap, nesta terça-feira (28), a candidata da REDE Sustentabilidade à Presidência, Marina Silva, rebateu as afirmações que sugerem que ela não teria condições de assumir o cargo que disputa por ser frágil.

Isso é uma forma de desqualificação das mulheres. Estou desde os 17 anos tendo que provar que penso, que sei. E o tempo todo vejo as pessoas me subestimando, como são subestimadas as mulheres brasileiras quando vão fazer uma faculdade, quando dizem ‘eu vou criar e educar meus filhos’, quando decidem que vão abrir um negócio. Nós continuamos sendo subestimadas porque esse lugar parece que não foi feito para nós, mas sou especialista em passar por frestas”, afirmou Marina.

Sob aplausos, Marina relatou os desafios que já teve que superar em sua trajetória e afirmou que seu governo vai trabalhar no enfretamento das desigualdades que ainda atingem as brasileiras em vários setores da sociedade. “Eu nunca mais quero ver uma mulher sendo subestimada, não quero ver uma mulher sendo tratada como se não pensasse, como se não pudesse. Nós podemos e vamos transformar essas frestas em grandes portais de transformação.

Em duas horas de entrevistas, Marina respondeu dezenas de perguntas feitas por jornalistas e pela plateia. Ao ser questionada sobre reformas, a candidata reafirmou ser favorável às mudançasestruturantes nas áreas da política, com o fim da reeleição e mandatos de cinco anos a partir de 2022para o Executivo; da previdência, com um regime de transição para não prejudicar as pessoas que estão prestes a se aposentar; e da trabalhista, com equilíbrio nos direitos e obrigações de empregados e empresas.

No quesito segurança pública, Marina defendeu a adoção de um sistema único de segurança pública que seja capaz de mapear e atuar com eficácia nas regiões com maior incidência criminal. Ainda nesse tema, a candidata da REDE criticou a posição de candidatos que são favoráveis à legalização do porte de arma para os cidadãos. “Um candidato a presidente não pode propor que as pessoas tenham uma arma para se defender com as próprias mãos. O uso da violência é um monopólio do Estado.

Em relação ao aborto, Marina ponderou novamente ser contra a prática por convicção filosófica e de fécristã, mas ressaltou que a mulher que faz um aborto não deve ir para cadeia e, sim, receber assistência médica e psicológica. Sobre a ampliação do direito à interrupção da gravidez, Marina explicou que a decisão deve ser tomada pela sociedade, por meio de um plebiscito.

Também no encontro, Marina esclareceu ser possível integrar de forma sustentável as pautas deeconomia e ecologia, e do agronegócio com a agricultura familiar. Para ilustrar essa integração, Marina citou o exemplo da fazenda Santa Brígida, em Ipameri (GO). A propriedade é pioneira no desenvolvimento integrado da lavoura-pecuária-floresta, uma das tecnologias da chamada agricultura de baixa emissão de carbono (ABC).